Quem sou eu?
Doutorando em ecologia na Universidade dos Açores
Sou doutorando na Universidade dos Açores, no âmbito da Faculdade de Ciências e Tecnologia.
Meu trabalho é supervisionado pelo Prof. Paulo A.V. Borges(Universidade dos Açores, CE3C - IBBC) e pelo Dr. João Pinelo (AirCentre).
Minhas pesquisas se situam na interface entre ecologia florestal, biogeografia insular, entomologia, microclima, sensoriamento remoto e modelagem preditiva. Através dessa abordagem interdisciplinar, busco entender melhor como as mudanças na estrutura dos habitats florestais afetam a biodiversidade, especialmente a dos artrópodes, nos ecossistemas insulares dos Açores.
Meu tema de tese
Por que as florestas são essenciais
As florestas não são apenas conjuntos de árvores: são sistemas vivos que abrigam uma parte significativa da biodiversidade terrestre, armazenam carbono, regulam o ciclo da água e ajudam a mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Sua importância ecológica é considerável, mas nem todas as florestas funcionam da mesma maneira.
O que as distingue, além de sua composição florística, é também sua estrutura: a altura da vegetação, a densidade da cobertura, a presença de várias camadas e a diversidade de micro-habitats. Essa organização influencia diretamente as condições ambientais dentro da floresta, e, portanto, as espécies que podem se manter ali.
A estrutura do habitat como fio condutor
No coração da minha tese está uma ideia simples: a estrutura de uma floresta condiciona a biodiversidade que ela abriga. Uma floresta complexa frequentemente oferece mais refúgios, recursos e condições microclimáticas variadas. Em contrapartida, uma floresta simplificada ou transformada pode se tornar mais homogênea e menos favorável a certas espécies.
Essa questão é particularmente importante em pequena escala. Para muitos organismos, e especialmente para os artrópodes, as diferenças de temperatura, umidade, luz ou vegetação entre o solo, o sub-bosque e a copa das árvores podem influenciar profundamente a maneira como eles se distribuem no espaço.
Por que os artrópodes?
Os artrópodes são excelentes modelos para estudar os efeitos das mudanças ambientais. Eles são muito diversificados, presentes em quase todos os compartimentos da floresta e reagem rapidamente às modificações de seu habitat.
Eles também desempenham papéis ecológicos fundamentais: decomposição da matéria orgânica, polinização, predação, reciclagem de nutrientes e estruturação das redes tróficas. Estudar sua distribuição permite, portanto, compreender melhor tanto o estado da biodiversidade florestal quanto o funcionamento dos ecossistemas.
Os Açores como laboratório natural
As ilhas constituem laboratórios naturais particularmente valiosos para a ecologia. O seu isolamento, a sua alta taxa de endemismo e a sua vulnerabilidade a perturbações tornam-nas sistemas ideais para estudar as respostas da biodiversidade às mudanças de habitat.
Nos Açores, e mais precisamente na ilha de Terceira, as florestas indígenas subsistem hoje sob a forma de fragmentos, inseridos em paisagens amplamente transformadas. Encontramos um forte contraste entre as florestas nativas de altitude e as florestas secundárias exóticas, frequentemente dominadas porPittosporum undulatum.
Esse contraste oferece uma oportunidade única de estudar como a história do uso da terra, as invasões biológicas e as mudanças na estrutura florestal influenciam as comunidades de artrópodes.
O objetivo geral da minha tese
O objetivo do meu doutorado é entender como as mudanças na estrutura das florestas influenciam a distribuição, a estratificação vertical e a organização ecológica das comunidades de artrópodes nas florestas açorianas.
Para isso, adoto uma abordagem integrada que conecta várias dimensões complementares: a estrutura física das florestas, o microclima, a distribuição das espécies, a composição das comunidades e as associações ecológicas entre organismos e habitats. Essa abordagem permite ir além de uma simples comparação entre ambientes e explorar os mecanismos que ligam a transformação dos habitats e as respostas da biodiversidade.
Do solo à copa: uma floresta em três dimensões
Um aspecto central do meu trabalho é a consideração da dimensão vertical das florestas.
Uma floresta não é um espaço uniforme: as condições mudam fortemente entre o solo, o sub-bosque, os arbustos e as partes mais altas da vegetação. Essa organização vertical desempenha um papel importante na distribuição dos artrópodes.
Minha tese busca, portanto, entender como as espécies se distribuem entre essas diferentes camadas e como essa estratificação varia entre florestas nativas e florestas exóticas. Isso permite avaliar em que medida os habitats transformados conservam — ou não — uma parte da complexidade ecológica das florestas indígenas.
Ferramentas inovadoras para estudar as florestas
Para analisar essas questões, utilizo várias ferramentas complementares que permitem observar as florestas em diferentes escalas. O LiDAR, a imagens de drone, a sensoriamento remoto, os levantamentos de vegetação, as medições de microclima e as abordagens de modelagem preditiva me permitem relacionar a estrutura dos habitats às dinâmicas de biodiversidade.
Essa combinação metodológica é um dos pontos fortes da minha tese. Ela permite descrever a floresta como um sistema complexo, ao mesmo tempo espacial, vertical e dinâmico, e explorar mais detalhadamente as ligações entre habitat e biodiversidade.
Prever as mudanças na biodiversidade
Uma parte das minhas pesquisas se baseia em dados demonitoramento a longo prazodos artrópodes na floresta nativa de Terceira. Essas séries temporais permitem documentar as mudanças nas comunidades ao longo dos anos e compreender melhor as trajetórias da biodiversidade insular.
Eu também exploro o potencial da inteligência artificial e de outros métodos de previsão para antecipar as evoluções futuras das comunidades de artrópodes. Essa dimensão preditiva é importante em um contexto de mudanças globais, pois ajuda a compreender melhor como os ecossistemas podem reagir às transformações em curso.
Minhas publicações de tese
Publicações integradas em um projeto coerente
Minha tese é construída em torno de um conjunto de trabalhos complementares que exploram diferentes aspectos de uma mesma questão: como a transformação da estrutura florestal influencia a biodiversidade dos artrópodes nas florestas dos Açores. Esses trabalhos vão do monitoramento temporal à análise da estrutura dos habitats, passando pela distribuição vertical das espécies e pela modelagem preditiva.
Cada publicação traz uma peça do quebra-cabeça. Juntas, elas permitem construir uma visão integrada dos vínculos entre estrutura florestal, microclima e organização das comunidades de artrópodes.
